Fenomenologia do qoutidiano português: A urbe
Nota prévia: Há muito tem po que não escrevia nada desde que terminei o Bitaite. Para voltar recuperei um rascunho que tinha escrito no princípio do ano. Aqui vai ele:
Uma rúbrica que daria para teses de doutoramento e congressos de duas semanas, o quotidiano português reveste-se das mais intrincadas e barrocas formas de apresentação. Sendo impossível fazer aqui uma psicologia do Português, ou para quem preferir, uma Ontologia, que abarcasse de uma forma abstracta e geral o que enforma o seu quotidiano e a maneira como ele aí se enquadra e enquadra o que o rodeia podemos no entanto, numa perspectiva das várias ciências puras e humanas, fazer análises separadas dos momentos e conceitos que no seu todo abarcam e fazem o Quotidiano Português, aqui capitalizado de propósito.
O assunto já não é novo nos meus blogs, quer aqui quer no Ultimate Bitaite, já me aproximei das análises da convivência interpessoal nos transportes públicos, dos hábitos de leituras diários e de muitos outros peuqenos momentos da vida quotidiana deste nosso Portugal. Tratemos hoje de uma grande contradição da demografia nacional.
Somos um país essencialmente urbano.
Com um país com uma mancha florestal que ocupa metade do território, com uma costa de 800 km, com metade do país sendo o Alentejo, com tanto espaço para morar e com um feitio que faz com que sejamos insuportáveis uns para os outros, em vez de distribuírmos as pessoas saudavelmente pelo território, não, amontoamo-nos aos magotes claustrofóbicos em apartamentos minúsculos, em sub-urbes sobrepovoadas, em cidades mínusculas para irmos trabalhar para escritórios ridículos em automóveis envelhecidos ou transportes sobrelotados em estradas em mau estado e cheias que nem um ovo à hora de ponta... E há mesma hora, no Almograve, o ti Chico vai de pasteleira até à praia...
2,5 milhões de pessoas, um quarto da população do país, vive na Área Metropolitana da Lisboa, abarcada pela capital e os concelhos de Almada, Seixal, Barreiro, Moita, Montijo, Sintra, Amadora, Loures e Odivelas, sendo que neste círculo nenhum dos limites dista a mais de 20 km do centro de Lisboa... à mesma hora o no Gerês ouvem-se os pássaros...
Mas como se isso não bastasse, e como respiramos ar poluído e na mata ainda se fabrica oxigênio através do processo natural da clorofila... Puxamos fogo às árvores e deixamo-las arder...
Nota final:
Carcavelos ontem transformou-se numa Rio de Janeiro à portuguesa... Ainda querem ir à praia na Cidade? Ainda querem deitar fogo ao campo?
Bem hajam e bom Verão